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Mostrando postagens com o rótulo Escritores

Discurso fúnebre para Honoré de Balzac, por Victor Hugo

Cavalheiros: O homem que acaba de descer a esta tumba era um daqueles a quem a dor pública acompanha seu cortejo fúnebre. Nos tempos por que passamos, todas as ficções se desvanecem. Doravante, os olhos não se fixam mais sobre as cabeças reinantes, mas sobre as cabeças que pensam, e o país inteiro sofre um abalo quando uma dessas cabeças desaparece. Hoje, o luto popular é provocado pela morte de um homem de talento; o luto nacional é a morte de um homem de gênio. Cavalheiros, o nome de Balzac se incluirá no rastro luminoso que nossa época irá deixar para o futuro. Monsieur de Balzac fazia parte dessa pujante geração de escritores do século XIX que surgiu depois de Napoleão, do mesmo modo que a ilustre plêiade do século XVII depois de Richelieu, tal como se, no desenvolvimento da civilização, houvesse uma lei que faça suceder os que dominaram através do gládio por aqueles que dominam pelo espírito. Monsieur de Balzac era um dos primeiros entre os maiores e um dos mais altos entre os mel...

Diário - Solange Rebuzzi

Rio, 14.07.2020 Rios e árvores no extremo norte do país e um sopro alto na sombra da sumaúma. Uma linha longe do horizonte largo palpita no coração da floresta. Os índios protegem os corpos em pequenas embarcações por onde correm as margens com o barro que escorre fresco. Apenas os murmúrios acontecem sobre o caminho cego. * Rio, 23.07.2020 Flor-de-maio Não só na sombra das flores-de-maio, mas nas roseiras de junho e julho vermelhas de rosas e vergadas no peso da antiguidade, sim, porque o peso não é brando e é rude demais este momento. Sim, e sempre porque no instante em que escrevo nascem crianças ao redor do mundo e a grande força da natureza em torno de mim - por sobre as copas verdes das árvores - sobressai e clama aos lábios abertos do mundo! Rio, 2.08.2020 Escrevo com os olhos e a boca fixados no horizonte desta manhã blu de luz Encontro relatos de mentiras de muitos  e a verdade sem rosto fincada em alguns Amanhece... A memória não acalma habita a solidão dos dias - sem po...

LE HORLA

Dialogues initiés par : tiret -  guillemet LE HORLA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  8 mai . — Quelle journée admirable ! J’ai passé toute la matinée étendu sur l’herbe, devant ma maison, sous l’énorme platane qui la couvre, l’abrite et l’ombrage tout entière. J’aime ce pays, et j’aime y vivre parce que j’y ai mes racines, ces profondes et délicates racines, qui attachent un homme à la terre où sont nés et morts ses aïeux, qui l’attachent à ce qu’on pense et à ce qu’on mange, aux usages comme aux nourritures, aux locutions locales, aux intonations des paysans, aux odeurs du sol, des villages et de l’air lui-même. J’aime ma maison où j’ai grandi. De mes fenêtres, je vois la Seine qui coule, le long de mon jardin, derrière la route, presque chez moi, la grande et large Seine, qui va de Rouen au Havre, couverte de bateaux qui passent. À gauche, là-bas, Rouen, la vaste ville aux toit...