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Mostrando postagens com o rótulo Literatura de autoria feminina

Da vida nas ruas ao teto dos livros: escrevivências e resistência de uma trânsfuga

Clarice Fortunato estreia na literatura com o pé direito. A leitura de Da vida nas ruas ao teto dos livros (2020) é uma dessas experiências das quais não se sai incólume. O livro, lançado recentemente pela editora Pallas, integra a tese de doutorado da autora. No conhecido ensaio Um teto todo seu , Virginia Woolf destaca a importância da mulher ter o seu próprio espaço para escrever, mas, se pensarmos na realidade brasileira, podemos nos perguntar: E quando não se tem nem um teto para viver? E quando é preciso pegar comida no lixo e beber água de poça para não morrer de fome e sede? Esta foi a triste realidade da escritora Clarice Fortunato durante parte de sua infância. Sua dolorosa experiência se tornou uma impactante narrativa em que traumas individuais fazem eco a traumas coletivos e ancestrais. Fortunato nasceu em 1976, no interior do Paraná, filha de pai negro, boia-fria, analfabeto e mãe branca, de olhos azuis. O casal teve 17 filhos, mas apenas dez sobreviveram. Depois da morte...

A bordo do Clementina e depois - Solange Rebuzzi 2020

SINOPSE: Num misto de romance, ensaio histórico e investigação da genealogia familiar, Solange Rebuzzi nos leva a bordo do Clementina, navio que trouxe seus antepassados da Itália para o Brasil em 1877. A família que saiu do povoado de San Benedetto Po, na Lombardia, se instalou na cidade de João Neiva, no Espírito Santo, e é a partir da trajetória de seus familiares que a autora (re)constrói esta história – que também faz parte da própria história da formação do povo brasileiro, de uma terra que sempre atraiu imigrantes de todas as partes do mundo. https://www.7letras.com.br/a-bordo-do-clementina-e-depois.html Fotografia:  José Eduardo Barros                     Instagram : @ barrosballard  

Viagens - Virginia Woolf

Título: Viagens  Autora:   Virinia Woolf Tradutor: Jorge Vaz de Carvalho Publicação:   09/ 2018 País:  Portugal Editora:  Relógio D'Água Sinopse:   Em companhia dos irmãos, de amigos, e mais tarde com o marido Leonard, Virginia Woolf viajou da adolescência até quase ao fim da vida. Conheceu Espanha, que veio a considerar um país magnífico, apesar do invariável céu azul. Passou por Lisboa e Porto. Visitou por diversas vezes a Grécia. Perdeu-se pelas ruelas de Constantinopla e sentiu-se fascinada pelas suas principais mesquitas. Em Itália, deu particular atenção a Veneza, Florença e Siena. Na Alemanha, o centro da sua atenção foi Bayreuth. Em meados dos anos 30, visitou a França e deslocou-se à Holanda. Mas viajar nunca foi para ela uma descrição de lugares, referenciados com anotações brilhantes. Como escreveu Jorge Vaz de Carvalho, na Introdução: «Nunca abusa no gosto pelo detalhe pitoresco ou prelecção erudita. Percebemos como a escritora evita obsessivame...

Desastrada e outros contos breves - Cassiana Lima Cardoso

Desastrada e outros contos breves Cassiana Lima Cardoso Em Desastrada, forma e conteúdo são dignos de nota. No aspecto formal, a brevidade da narrativa; no plano do conteúdo, a imagem emblemática do rinoceronte. É impossível não lembrar dos “instantes ficcionais” de João Gilberto Noll (1946-2017), em Mínimos, Múltiplos, Comuns (2003), definidos pelo próprio autor como “microcontos poemáticos em que você suspende por agudos momentos o fluxo normal de uma narrativa, a princípio mais extensa e que parece correr pelo livro todo”. A escrita de Cassiana Lima Cardoso é feita de prosa e poesia, hibridismo literário que dialoga com os microcontos poemáticos de Noll e se insere em longa tradição de minimalistas. A escrita breve e poética da escritora é feita de leveza e humor, de imaginação e sonho, de situações do cotidiano não ordinárias, pois acolhem o imprevisível, o inexplicável, e, por que não, o absurdo. A imagem do rinoceronte insinua o que está por vir. Há uma inevitável relação com a p...

O relógio das estrelas: Suzana Amaral e Clarice Lispector - Cassiana Lima Cardoso

Dedico aos amigos do cineclube Raul Lopes, especialmente à Lília Olmedo Monteiro, nossa anfitriã.   No livro “A Hora da estrela” (1977), de Clarice Lispector, a personagem Macabéa apaixona-se pela palavra efeméride , termo que Seu Raimundo, também um amante discreto das palavras difíceis, a manda copiar “com sua letra linda”.  Fortuna e infortúnio têm suas nuances. Não por acaso, Eduardo Portella, autor do prefácio do livro, intitulado “O grito do silêncio”, costumava dizer: “o acaso existe”. E previsto ou imprevisto, (não tem a pretensão esse texto, de mais ou menos oitocentos caracteres, quitar a discussão filosófica acerca da questão do destino), morre Suzana Amaral, autora da obra-prima, que é a versão cinematográfica da história de nossa Maca, justamente no ano do centenário de Clarice Lispector. O filme é de 1985, lançado em 1986. Decerto, ambas, escritora e cineasta, habitarão a mesma constelação em nossa memória. Duas mulheres notáveis, que realizaram obras de arte da ...

Clarice Lispector - Amor

Clarice Lispector (1920-1977) foi uma escritora e jornalista brasileira, de origem judia, reconhecida como uma das mais importantes escritoras do século XX. Fez parte do Terceiro Tempo Modernista, também chamado "Geração de 45", que com seu romance inovador e com sua linguagem altamente poética, põe em cheque os modelos narrativos tradicionais. O conto a seguir faz parte do livro Laços de Família , publicado pela primeira vez em 1960. Nele encontramos um dos temais mais fortes de Clarice, a epifania.  Acompanharemos um dia da vida da dona de casa Ana, mulher de "raiz firme das coisas" . Um dia porém, ao penetrar "na hora perigosa da tarde", ela é submetida a um conhecimento "súbito" de verdade.  Como em um rito de passagem, arrebatada pela nova experiência, Ana começa a refletir sobre si mesma e sobre o mundo perfeito que a rodeia. Boa leitura!

Anne Pauly - Prix du Livre Inter 2020

Le prix du livre Inter pour la romancière Anne Pauly   « Avant que j’oublie » (Verdier) est un récit tragi-comique racontant la maladie et la mort du père de l’autrice. Le Monde avec AFP  Publié le 08 juin 2020 à 08h48 - Mis à jour le 08 juin 2020 à 10h59   Le convoité prix du livre Inter a été attribué lundi 8 juin à la primo-romancière Anne Pauly pour Avant que j’oublie (Verdier), récit tragi-comique plein de tendresse et d’empathie racontant la maladie et la mort de son père. Choisi, avec 17 voix, par le jury présidé cette année par Philippe Lançon, le roman d’Anne Pauly a figuré dans les sélections du Goncourt, du Femina et du Médicis. Il a été finaliste du Goncourt du premier roman et fait partie des dix conseils de lecture pour l’été établis par l’académie Goncourt. Le père de la narratrice (double parfait d’Anne Pauly) était un punk avant l’heure, un « gros déglingo », « roi misanthrope », unijambiste n’ayant pas sa langue dans la poche, nous raco...