Pular para o conteúdo principal

Pedido

 


Armem a rede entre as estrelas,
para um descanso secular!
Os conhecidos - esquecê-los.
E os outros, nem imaginar.
Armem a rede!


Chamem o vento, um grande vento
aéreo leçao, para amarrar
sua juba de esquecimento
a esta rede, entre Deus e o mar.
Chamem o vento!


Não falem nunca mais daquela
que oscila, invisível, pelo ar.
Nao digam se foi triste ou bela
sua vocação de cantar!
Não falem nela.


Cecília Meireles
Melhores Poemas

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Os Colegas - Lygia Bojunga

Para o mês das crianças, "Livro Bacana"* Quando estava na frente da estante, procurando qual livro poderia indicar para este mês das crianças, não tive a menor dúvida de qual deles escolher: Os Colegas , de Lygia Bojunga.  O primeiro livro dessa escritora gaúcha, ganhador de vários prêmios, dentre eles o prêmio Jabuti, é um dos meus livros favoritos da vida. Motivo? Eu só o conheci na fase adulta e ele tocou profundamente a criança que existe em mim.  Essa obra-prima da literatura infantojuvenil brasileira tem como pano de fundo a nossa tradicional e popular festa de Carnaval e o mundo circense. Além disso, as personagens principais são animais, o que dá o tom de fábula para história. Assim, somos apresentados aos cachorrinhos Virinha, Latinha e Flor-de-lis; ao coelho Cara-de-pau e ao urso Voz de Cristal.  Por intermédio da sua descrição física e psicológica, as personagens vão sendo construídas por Bojunga, dentro do universo ficcional. No decorrer da narrativa, o leitor...

O relógio das estrelas: Suzana Amaral e Clarice Lispector - Cassiana Lima Cardoso

Dedico aos amigos do cineclube Raul Lopes, especialmente à Lília Olmedo Monteiro, nossa anfitriã.   No livro “A Hora da estrela” (1977), de Clarice Lispector, a personagem Macabéa apaixona-se pela palavra efeméride , termo que Seu Raimundo, também um amante discreto das palavras difíceis, a manda copiar “com sua letra linda”.  Fortuna e infortúnio têm suas nuances. Não por acaso, Eduardo Portella, autor do prefácio do livro, intitulado “O grito do silêncio”, costumava dizer: “o acaso existe”. E previsto ou imprevisto, (não tem a pretensão esse texto, de mais ou menos oitocentos caracteres, quitar a discussão filosófica acerca da questão do destino), morre Suzana Amaral, autora da obra-prima, que é a versão cinematográfica da história de nossa Maca, justamente no ano do centenário de Clarice Lispector. O filme é de 1985, lançado em 1986. Decerto, ambas, escritora e cineasta, habitarão a mesma constelação em nossa memória. Duas mulheres notáveis, que realizaram obras de arte da ...

Diário de Leitura: A hora da estrela (1977), de Clarice Lispector

Nos idos de 2005, um grupo de alunos da Faculdade de Letras da UFF buscava refúgio nos bares da Cantareira a fim de, além de molhar a palavra, pensar um modo de manter os encontros literários que escasseariam com a conclusão do curso. Era o início do frutífero, e líquido, Conversando literaturas. Uma das conclusões mais interessantes, e tolas, daquelas discussões referia-se ao fato de não querermos falar sobre clássicos, como Clarice, Machado, Shakespeare, por que, óbvio, não haveria nada novo a se dizer a respeito destes autores – que já derrubaram muitas florestas. Felizmente, embora pretensiosos, não éramos brutos, e o segundo ciclo de leituras já foi sobre o argentino Jorge Luis Borges. É então uma sensação demolidora (pra cima) poder reler com meus alunos, amigos, as duras letras com que Clarice Lispector escreveu a vidinha de Macabéa e encontrar as duas propostas da leitura feita pelo Professor João Cezar de Castro Rocha: Macabéa, como um dos filhos do casal Fabiano e Sinhá Vitór...