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Calendrier lagunaire (extrait) - poema de Aimé Césaire


J'habite une blessure sacrée
j'habite des ancêtres imaginaires
j'habite un vouloir obscur
j'habite un long silence
j'habite une soif irrémédiable
j'habite un voyage de mille ans
j'habite une guerre de trois cent ans
j'habite un culte désaffecté
entre bulbe et caïeu j'habite l'espace inexploité
j'habite du basalte non une coulée
mais de la lave le mascaret
qui remonte la valleuse à toute allure
et brûle toutes les mosquées
je m'accommode de mon mieux de cet avatar
d'une version du paradis absurdement ratée
- c'est bien pire qu'un enfer -
j'habite de temps en temps une de mes plaies
chaque minute je change d'appartement
et toute paix m'effraie
Aimé Césaire, "Calendrier lagunaire", extrait du recueil Cent poèmes


Para conhecer um pouco mais sobre o autor leia o artigo que saiu no Suplemento Pernambuco (on line) do dia 02 de maio 2018: Aimé Césaire: sua poesia, sua crítica ao colonialismo (em português).

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