Pular para o conteúdo principal

Márcia Marques - Rambourg & Christophe Lalanne









O poema a seguir, sem título, trata-se de um texto único construído pela poetisa Márcia Marques Rambourg em colaboração com o artista artista plástico Christophe Lalanne.

Originalmente escrito em francês, ele foi traduzido pela própria autora.



Christophe Lalanne




je ne suis

qu’une forme ovale pleine

d’humilité

l’eau a chargé de noir ma main 

pauvre


& dans la vaste contrition de l’abîme

l’onde a parfait la matière :

marche


devant il n’est

que villes endormies

d’extraordinaires soleils



*


sou somente

uma forma oval plena

de humildade

a água cobriu de preto minha mão 

pobre 


& na vasta contrição do abismo

a onda esculpiu a matéria:

caminha


diante de ti, somente

cidades adormecidas

de sois extraordinários 



LP – Christophe Lalanne / Márcia Marques-Rambourg – setembro de 2019.
Collection Livres Pauvres de Daniel Leuwers – exemplaires uniques




Márcia Marques-Rambourg é professora "agrégée" de língua e literatura francesa na França. Poeta, publica em português, inglês e francês. Colabora em diversas revistas francesas com textos críticos e traduções. É mãe - o que lhe é mais essencial.


Livros da autora:

  • Dans mes pas renversés, Kirographaires (2012).
  • Como o pão que come em dias secos, préf. Lucia Helena, Editora Oficina Raquel (2013).
  • Hands of Clay, Leaky Boot Press, préf. Félix Terrones, prés. Sébastien Doubinsky & ill. Sylvie Lobato (2014).
  • Fragments, Les Éditions Derrière la salle de bain (2015).
  • Mater ex-crita, Editora Oficina Raquel, préf. Solange Rebuzzi & ill. Sylvie Lobato (2016)
  • in- corps, Littérature mineure (2016).
  • Que.la.peau.tienne, A-Over Editions, vu par Christine Coste (2017).
  • de cette césure de cette ligne, en collaboration avec Annie Barrat (2017).
  • Forêt, Livre Pauvre, en collaboration avec Christophe Lalanne, coll. « Hublot » de Daniel Leuwers (2018).
  • Livro Pauvre 2, en collaboration avec Christophe Lalanne, Daniel Leuwers (2019).

Sobre o artista plástico Christophe Lalanne:

Formado pela ESBA (École supérieure des beaux-arts) de Tours em 1995, Christophe Lalanne vive e trabalha em Tours e St. Pierre des Corps. O artista pinta, desenha, grava, costura. Ele também é professor de artes visuais e mediador cultural em Saint-Avertin, além de intervir regularmente em várias escolas ou hospitais para realizar workshops. 

Christophe Lalanne - encre sur papier , 2019.



"Sou acima de tudo pintor (óleo sobre tela, madeira, tinta sobre papel, guache, pastel ...). Mas a pintura às vezes transborda, sai da moldura, torna-se volume, modelagem, local de vida (veja as cabanas) ... procuro materiais, dispositivos, métodos de trabalho que não congelam as formas e que permitem o aparecimento do imprevisível, metamorfose das figuras, dos sujeitos (transeuntes, corredores, rostos, casas, cabanas, árvores, animais ..). Cada trabalho permanece aberto, essa incompletude exige um outro. É por isso que trabalho com séries de obras."







Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Os Colegas - Lygia Bojunga

Para o mês das crianças, "Livro Bacana"* Quando estava na frente da estante, procurando qual livro poderia indicar para este mês das crianças, não tive a menor dúvida de qual deles escolher: Os Colegas , de Lygia Bojunga.  O primeiro livro dessa escritora gaúcha, ganhador de vários prêmios, dentre eles o prêmio Jabuti, é um dos meus livros favoritos da vida. Motivo? Eu só o conheci na fase adulta e ele tocou profundamente a criança que existe em mim.  Essa obra-prima da literatura infantojuvenil brasileira tem como pano de fundo a nossa tradicional e popular festa de Carnaval e o mundo circense. Além disso, as personagens principais são animais, o que dá o tom de fábula para história. Assim, somos apresentados aos cachorrinhos Virinha, Latinha e Flor-de-lis; ao coelho Cara-de-pau e ao urso Voz de Cristal.  Por intermédio da sua descrição física e psicológica, as personagens vão sendo construídas por Bojunga, dentro do universo ficcional. No decorrer da narrativa, o leitor...

A noite não adormece nos olhos das mulheres

A noite não adormece nos olhos das mulheres a lua fêmea, semelhante nossa, em vigília atenta vigia a nossa memória. A noite não adormece nos olhos das mulheres, há mais olhos que sono onde lágrimas suspensas virgulam o lapso de nossas molhadas lembranças. A noite não adormece nos olhos das mulheres vaginas abertas retêm e expulsam a vida donde Ainás, Nzingas, Ngambeles e outras meninas luas afastam delas e de nós os nossos cálices de lágrimas. A noite não adormecerá jamais nos olhos das fêmeas pois do nosso sangue-mulher de nosso líquido lembradiço em cada gota que jorra um fio invisível e tônico pacientemente cose a rede de nossa milenar resistência. Conceição Evaristo*, em Cadernos Negros, vol. 19. *Maria da Conceição Evaristo de Brito (Belo Horizonte, Minas Gerais, 1946). Romancista, contista, poeta, professora e doutora pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Criou o conceito escrevivência, ou a escrita que nasce do cotidiano, das lembranças, da experiência de vida da própria a...

Acerca da Biblioteca de Português da Sorbonne Nouvelle

Para Borges, o paraíso seria uma espécie de biblioteca [1] . Toda vez que penso nessa frase, a Biblioteca de estudos portugueses, brasileiros e da África lusófona, também conhecida como Biblioteca de Português, me vem à mente. Localizada no emblemático Quartier Latin de Paris, no prédio da Sorbonne, abriga um dos maiores acervos sobre os países lusófonos da França [2] . É uma biblioteca com história secular, testemunha do interesse pelos estudos brasileiros na Europa e da intensa troca entre homens de letras e intelectuais dos dois lados do Atlântico. Ela possui nas suas estantes mais de 25000 títulos, divididos em diversas áreas do conhecimento: língua, literatura, civilização, história, geografia, etc. Tive a honra de trabalhar como assistente de biblioteca naquele lugar durante alguns anos do meu doutorado, entre 2015 e 2018. Período que foi marcado por encontros com livros e com pessoas que aguçaram meu espírito e enriqueceram profundamente minha vivência acadêmica. Entre um encon...