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Página 1 - O dia em que conheci Machado de Assis - um relato pessoal sobre a experiência de leitura.

A comemoração do aniversário de nascimento de Joaquim Maria Machado de Assis me fez lembrar de um episódio da minha infância.A leitura sempre fez parte da minha vida. Meus pais frequentemente estimulavam a leitura em casa, mas a meu hábito de viver rodeado de livros surgiu por influência da minha avó materna, Dona Alda, com quem eu lia as histórias de Monteiro Lobato e uma dezena de outros livros. Frequentador assíduo da Biblioteca Municipal de Jacareí - SP, na época localizada bem próximo da Igreja Matriz, eu me sentia em casa naquele lugar. Eu conhecia todos os bibliotecários, que gentilmente me avisavam quando algum título mais concorrido estaria disponível. Lembro perfeitamente do ritual para ingressar naquele local: primeiramente todos os materiais e bolsas eram deixados em um armário. Em seguida, munido de papel e caneta, pois era nossa a tarefa de anotar o número e a estante onde estava guardado o livro escolhido, enfrentávamos o grande gaveteiro de metal repleto de pequenas fi...

Entrevista com Leonardo Tonus - "As editoras terão que se reinventar ou desaparecerão."

As editoras terão que se reinventar ou desaparecerão', diz Leonardo Tonus, escritor e professor da Sorbonne Bruno Calixto O Globo  20/06/2020   00:01 BRT RIO — A Organização Mundial de Saúde anunciou que não sabe dizer quando o vírus irá desaparecer. No dia que começou a quarentena na França, 13 de março, tudo já estaria resolvido, segundo imaginou o professor de literatura brasileira na Sorbonne, o escritor Leonardo Tonus. — Estávamos a uma semana antes das férias da universidade e, com o passar dos dias fui dando conta que os próprios estudantes ficariam isolados por bastante tempo. Então tive a ideia do projeto "Sacadas literárias", que é compartilhar poesias da janela, estas janela metafóricas, estendendo a brasileiros. A ideia é toda semana fazer uma live pelo Instagram e Facebook com suporte para que eles continuem estudando tendo em vista as provas do Enem. Literatura em casa para estudantes, sobretudo os do ensino público. Vamos seguir até o fim do ano — conta. Ne...

O fôlego novo de "Brás Cubas" no meio literário internacional

Fonte: Revista Época Por: Jerônimo Teixeira 26/06/2020 - 0300 Foto: Intervenção em foto  de Marc Ferrez (Machado de Assis e bandeira EUA) Um dos mais importantes editores do Brasil no século XIX, o francês Baptiste-Louis Garnier negou ao maior nome de seu catálogo a oportunidade de ser lido na Alemanha. Em 1889, uma editora alemã manifestou interesse em publicar as obras de Machado de Assis, para alegria do escritor, que já havia alguns anos vinha estudando a língua de Goethe e Heine. Machado escreveu a Garnier — em francês — para solicitar a liberação de seus livros para a edição alemã. Assegurou que nem sequer esperava compensação financeira: “Já considero uma vantagem ser conhecido em um língua estrangeira que tem seu mercado tão diferente e tão afastado do nosso”. Em sua resposta, Garnier buscou dissuadir o autor com razões pretensamente literárias, repisando o lugar-comum segundo o qual traduzir e trair são sinônimos: “Não ignorais, senhor, que um escritor, por mais bem t...

Memórias Póstumas de Brás Cubas: uma breve incursão psicanalítica

Machado de Assis é o maior escritor brasileiro de todos os tempos. E um dos maiores da literatura em língua portuguesa. Sua obra presta-se a análises as mais diversas, de todos os ângulos, inclusive, claro, a psicanalítica. Reli alguns trabalhos nessa área ao analisar uma crítica saída na semana passada a respeito da versão francesa do meu romance Menino oculto ( L'Enfant Caché ). O tradutor, no seu prefácio, escreve: "La question est bien de savoir si Aimoré, le personnage, raconte la vérité ou s'il délire sans cesse."* E o narrador de Brás Cubas? Os poetas bebem de fontes ainda não acessíveis à ciência. Freud remete à noção de conhecimento, saber e verdade transmitidos pela poesia. Verdade, conhecimento e liberdade. No romance Gradiva – uma fantasia pompeiana  de Wilhelm Jensen, o jovem arqueólogo associa a imagem da jovem em alto-relevo (nomeada Gradiva) descoberta nas ruínas de Pompeia a Zoé Bertgang, sua namoradinha de infância. Freud, ao analisar a obra (estud...

Sugestões de leitura de Maria Elizabeth Chaves de Mello - UFF

Walter Benjamin: Os textos que compõem este volume são fragmentos de um livro que Benjamin pretendia consagrar a um dos maiores poetas franceses do século XIX: Charles Baudelaire um lírico no auge do capitalismo. Ao decifrar os nexos entre a obra de Baudelaire e as relações sociais que se afirmavam na Europa Ocidental do final do século passado Benjamin inova com relação à crítica literária e à análise sociológica tradicionais. "Quero mostrar como Baudelaire está rigorosamente inserido no século XIX" escreve a G. Sholem. Sublinhando as marcas que o contexto histórico imprime à produção literária Benjamin examina a poética baudelairiana à luz da vida e dos personagens de uma Paris em vertiginosa transformação. O texto-base para compreender uma das mais fecundas propostas da moderna teoria literária: a estética da recepção. Fonte imagens e texto: www.amazon.com.br

Charles Baudelaire - O poeta da modernidade

Poeta francês do século XIX, Charles Baudelaire viveu entre 1821 e 1867. O seu único livro de poemas, publicado em 1857, polêmico e revolucionário na época, tem como título, intrigante e significativo, Les Fleurs du mal . Palavras que remetem à beleza ( fleurs , flores) que se pode extrair do mal, à beleza do quotidiano, da vida urbana moderna, que, feia, suja, injusta, horrível, se torna bela na representação pela arte. A função do poeta é definida, ao longo da leitura dos poemas, ora pela imagem do esgrimista, que luta com as palavras, tropeçando constantemente nelas, para atingir o seu ideal de beleza; ora pela imagem do sol, que traz luz e vigor a todos que atinge, penetra em choupanas e em palácios, cura doentes e deficientes. A poesia surge como a salvação da humanidade, salvação pela arte, pelo poder de transformar o feio em belo. Baudelaire é definido por Walter Benjamin como o poeta lírico do capitalismo. Crítico e teórico da arte, ao mesmo tempo, consciente e lúcido, em 186...

Clarice Lispector - Amor

Clarice Lispector (1920-1977) foi uma escritora e jornalista brasileira, de origem judia, reconhecida como uma das mais importantes escritoras do século XX. Fez parte do Terceiro Tempo Modernista, também chamado "Geração de 45", que com seu romance inovador e com sua linguagem altamente poética, põe em cheque os modelos narrativos tradicionais. O conto a seguir faz parte do livro Laços de Família , publicado pela primeira vez em 1960. Nele encontramos um dos temais mais fortes de Clarice, a epifania.  Acompanharemos um dia da vida da dona de casa Ana, mulher de "raiz firme das coisas" . Um dia porém, ao penetrar "na hora perigosa da tarde", ela é submetida a um conhecimento "súbito" de verdade.  Como em um rito de passagem, arrebatada pela nova experiência, Ana começa a refletir sobre si mesma e sobre o mundo perfeito que a rodeia. Boa leitura!